Do Blues à Música Caipira

Blues e música caipira - Planeta Música
Blues e música caipira - Planeta Música

E aí pessoal, começando aqui minha primeira matéria pro Planeta Música e obviamente vamos pra onde tudo começou. Que nem aquele ditado “First things first”, e antes de falar de guitarra vamos falar de Blues e música caipira.

Como guitarrista a gente sabe que não tem nada melhor e mais gostoso que desfrutar da velha pentatônica em cima de 3 acordes, este, no quesito musical,  o maior legado do Blues. No começo da década de 30 nos EUA nasce um dos discos que mudaram o mundo e moldou toda a música pop atual fundamentado nesses 3 acordes e 5 notas, o compilado Robert Johnson Sessions.

https://www.youtube.com/watch?v=It-tJ8DOjIk

Jimi Hendrix, Eric Clapton, Keith Richards e qualquer guitarrista que se preze sabe da importancia desse disco pra suas vidas musicais. O estilo e a sagacidade do Sr Johnson tocar aquele violão velho mudou tudo.

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Coincidência ou não

Além da música as letras também falam do momento crítico que ele passava em vida devido a escravidão, o trabalho no campo, as lamentações e sofrimento pelo que passavam. Tudo isso misturava e criava essa sinergia nunca antes vista em cima de um violão.

Do blues à viola caipira - planeta música - blues viola caipira
LP King of the Delta Blues Singers – Vol 2

Ao mesmo tempo na década de 40 começa a emergir o movimento sertanejo no Brasil vindo de uma raiz bem diferente da africana como era nos EUA. Tião Carreiro e Pardinho veio nessa onda no final da década de 50, com origem nas canções populares dos Bandeirantes, arrebentando com tudo, com pegada agressiva na viola e vejam só, fazendo aqueles mesmo 3 acordes milagrosos e sonoridade similar ao do Sr Johnson.

Tecnicamente ambos usando as mesmas escalas(mixolídio) e alguns temas se entrelaçando, como treta ou coração partido com a mulher, o cenário bucólico, e queiram ou não, “licks” de violão extremamente parecidos. Coincidencia? Talvez sim.

Mas o que sabemos quanto a  essa escala e harmonia que acontecem em ambos estilos é o quão visceral elas são e como de alguma forma no inconsciente coletivo elas conjugam da mesma necessidade de expurgar as aflições do espírito.

Acordes e escalas maiores com 7, pentatônica maior e menor misturada combina tão bem quanto feijão com arroz e isso nem Freud explica. Bom, talvez explique, mas que é uma delícia é e não tem como negar.

Ambos, Robert Johnson como a dupla caipira, não teria mesmo como se toparem pessoalmente ou talvez a dupla nem soubesse da existência desse exímio violeiro americano.

Culturas completamente diferentes em situações completamente distintas apesar das similaridades ditas aqui, porém como já disse antes, sabemos que há um inconsciente coletivo regendo as idéias através do mundo todo, seja pela ancestralidade e genética, seja por uma força maior física ou espiritual.

Blues e música caipira dá muito pano pra manga, e exemplos musicais é que não faltam. Ainda vou escrever aqui para mostrar essa perspectiva, mas por enquanto, fica essa semente.

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Paulo Costa - Planeta Música

Paulinho Costa

Guitarrêro e violêro, de Jimi Hendrix a Tião Carreiro, desde os 13 dividindo o tempo entre o amplificador e as ribanceiras de Minas Gerais com seu carrinho de rolimã sem freio. Virou paulista pra virar rockstar mas no fim acaba sempre no boteco fazendo um E7 feliz. Fundou a seita de um homem só, o Pentatoniquismo, não há dogmas e nem verdades absolutas, só madeira, cordas, captadores e aquilo que a alma tem pra dizer. Bem vindo ao meu navio. Ahoy!