Tango no violão: conheça a história e como tocar esse ritmo

Quando começamos a estudar ritmos latinos no violão, um dos primeiros encantamentos que temos é sem dúvidas com o tango. O ritmo é um dos mais marcantes símbolos culturais da Argentina, uma expressão genuína do Rio de La Plata e Buenos Aires. Seja na música ou na dança, culturalmente e musicalmente mescladas, o tango tem forte carga emocional e expressividade, é conhecido por representar sentimentos como melancolia, tristeza, paixão, êxtase e sensualidade.

O ritmo hoje mundialmente conhecido nos cinco continentes tem suas raízes na transição dos séculos XIX e XX, quando países sul-americanos passaram a financiar a vinda de imigrantes europeus para a América.

O desejo das elites políticas da época de construir uma nação civilizada graças ao aporte europeu, fez com que italianos, espanhóis, portugueses, alemães, russos, entre outros indivíduos abandonassem suas terras – parte delas devastadas pela Primeira Guerra Mundial – e desembarcassem aos milhões nos portos do Brasil, Argentina, Uruguai, Cuba, para tentar uma nova vida.  

Esse movimento migratório transformou as cidades sul-americanas, que passaram a receber trabalhadores, coheiros, artesãos, peões, marinheiros soldados, em geral homens em busca de diversão e companhia. Bares, salões, bordéis se tornaram populares e frequentados. Eram locais que serviram de útero para o nascimento do tango argentino, firmado pelas influências da polca europeia, havaneira cubana, condombe uruguaio, milonga espanhola.

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Apesar das incertezas sobre a real origem do tango (para a Unesco, o tango é “platino” e divide sua origem entre Argentina e Uruguai), o ritmo nem sempre foi cercado de glamour e aceitação como é nos dias de hoje. Por muitos anos o tango foi considerado música e dança marginais, praticadas por proletariados e prostitutas, além de ter seu nome originário de uma expressão africana que significa “local no qual negros se reúnem para dançar”.

O tango só ganhou espaço na elite argentina graças a cantores como Carlos Gardel, Francisco Martino e José Razzano, que transitaram dos bares de bairros pobres e operários para regiões mais centrais e frequentadas pela elite monetária de Buenos Aires. Com o sucesso de Gardel, o tango foi levado para Europa e se popularizou a partir de Paris como marca expressiva da “sensualidade latina”, algo parecido com o que acontece com o samba no Brasil.

Apesar de incorporado nas cidades europeias, o tango não foi inicialmente aceito pelo pensamento eurocêntrico da época. Às margens do movimento iluminista, a racionalidade e a cultura eram consideradas características exclusivas das sociedades da Europa, e o tango seria uma demonstração exótica de como a cultura latino-americana seria menos racional e mais “carnal” e “sensual”, com ritmos que exaltam mais o instinto do que a técnica.

Com o advento das tecnologias de comunicação e difusão, como o rádio e cinema, o tango passou a se tornar cada vez mais popular e praticado por diferentes classes sociais, e hoje é considerado identidade nacional do povo argentino.

Tango no violão e na música

Assim como em outras expressões culturais, a música no tango acompanha os movimentos que estão sendo realizados na dança. Seu ritmo é sincopado com compasso binário, tocado no tempo fraco se prolongando até o tempo mais forte com certa acentuação no ritmo. Quando estudamos tango no violão, por exemplo, em alguns momentos se torna difícil estudar utilizando metrônomo, justamente por essas mudanças rítmicas.

Mesmo com alguns elementos africanos, o tango não possui instrumentos de percussão, e é tradicionalmente tocado por violão, flauta, violino e o bandoneon, um pequeno acordeon. Apesar da variedade de instrumentos, o violão no tango é considerado o instrumento marcante para o ritmo e a expressão das emoções da música.

O violão no tango é o acompanhamento fiel na condução da dança, que se concentra na figura do “compadrito” ou “malevo”, personagem cultural das noites argentinas muito parecido com a figura do “malandro” no Brasil. Para o pesquisador e professor Sergio Ábalos, a postura do “malevo” como dançarino de tango, que impõe certa presença e condução corporal dos movimentos, influi no ritmo que está sendo tocado pelo violão no tango, e vice-versa.

E para entender as diferentes maneiras de tocar tango no violão, assista ao vídeo no começo da matéria com a explicação histórica e musical desse ritmo marcante da música latina. Fique ligado nos conteúdos do blog para ampliar seus conhecimentos musicais.

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